Terça-feira, 27 de Maio de 2014

 

detener el tiempo

 

concordaremos quase todos que - mais coisa, menos coisa - a vida é esta merda. uns dias assim, outros assados, mal passados, quase em sangue. mas não é sobre isso que vos quero falar. tive uma ideia para um conto. já vai sendo coisa rara, na minha idade. lembro-me amiúde do meu avô, que me contava muitas histórias sem saber que me contava muitas histórias. mas depois chego aqui e esqueço-me de vos falar sobre o meu avô. enfim, também não era sobre isso que vos queria falar. tive uma ideia para um conto, dizia. era uma criança numa aldeia (é sempre uma criança numa aldeia, diria o freud). mas era mesmo. a criança da aldeia brincava sozinha, mui-to triiiste. de repente (as coisas nos contos acontecem sempre de repente, que não há cá muitas linhas para explicar tudo e compor o ramalhete, como fazia o eça), de repente, dizia, uma nuvem lá ao fundo começa a chover letras. a criança corre até à nuvem e começa a chapinhar nas poças de letras. é uma criança num conto - tem que chapinhar. a criança brinca com as letras e começa a formar palavras que vão ganhando vida, aparecendo ou acontecendo de alguma forma. e assim a criança descobre muitas coisas novas que caem do scrabble do céu. uma flor, uma bicicleta, um amigo, o amor (que depois de um pontapé se transforma numa romã), o irs. se calhar isto já existe e eu li nalgum lado e não me lembro, que eu cá nunca me lembro de nada. e, se for esse o caso, estou para aqui feito parvo a pensar que tive uma ideia para um conto. mas também não é disso que vos quero falar.

 

um tal de joão gaspar

despesadiaria às 01:29
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