Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

 

Have you ever seen an assembly line? They're absolutely fantastic. Anyway, I wanted to have a long dialogue scene between Cary Grant and one of the factory workers as they walk along the assembly line. They might, for instance, be talking about one of the foremen. Behind them a car is being assembled, piece by piece. Finally, the car they've seen being put together from a simple nut and bolt is complete, with gas and oil, and all ready to drive off the line. The two men look at it and say, "Isn't it wonderful!" Then they open the door to the car and out drops a corpse!


Se o tapete rolante, os contentores, o ruído constante das máquinas se associavam facilmente a uma típica linha de montagem, os ganchos e o armazém a quinze graus negativos davam ares de matadouro, ligação que felizmente só fiz anos depois. Uma fábrica sem chaminé, o que complicava o desenho na creche; uma fábrica com apenas três homens, ao contrário das multidões operárias nas extravagâncias de Einsenstein e Vertov. Uma fábrica de gelo, gigantesca máquina quase automática, essencial a uma terra de pescadores. Ou pelo menos era-o, já fechou, claro. Agora não sei como se faz para fornecer a lota, mas uma fábrica de gelo é exemplo perfeito de um tempo de especialização em que um homem podia arriscar abrir uma loja de parafusos ou uma camisaria, negócios de outras gerações.


Não sei se posso chamar linha de montagem a uma onde nada é montado: uma torneira gigante enche em segundos uma caixa comprida de 4 x 1 x 1 metros que o tapete rolante faz avançar durante seis minutos. Lamentavelmente, a meio deste processo a caixa perde-se de vista e sai do outro lado um imponente bloco de gelo, as paredes da caixa para baixo como na caixa aberta de uma carrinha das obras e sobre o gelo descem dois ganchos que já me sugeriam ameaça antes de conhecer histórias de futuros distópicos com a humanidade subjugada por máquinas. O bloco segue, pendurado sobre as nossas cabeças, para o armazém uns metros ao lado, e a caixa volta atrás para repetir o processo.

 

A história que Hitchcock conta a propósito de Intriga Internacional é uma cena que nunca chegou a ser rodada nesse ou noutro filme, mas gosto de pensar que se ele conhecesse uma fábrica de gelo tão bem como eu, e se em vez de surgir de um carro recém-montado o cadáver aparecesse dentro de um magnífico túmulo transparente de 4 x 1 x 1 metros, a cena nunca teria ficado de fora.

 

Gouveia

despesadiaria às 12:07
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