Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

 

Depois de desbastar meio litro de vodka paraguaia e iluminar a noite com 2 cigarros de haxixe, sou levado a concluir que no mundo tudo são carícias. O céu, a água acastanhada, as ribeiras malvas. Enfim. Daqui a pouco vou subir na camioneta e voltar para a estrada, com a janela aberta para ouvir os grilos. Até lá, com a t-shirt amarrada à cabeça, fico escorado de lado num pinheiro a espera do dia. É assim que ele costuma chegar, nem visto nem ouvido, empurrado por densas voltas onde rende-se a uma vertigem que não consegue explicar. Tudo bem. Não é preciso nenhuma precaução. Uma clareira em um bosque, algumas pedras, um rio ao fundo: é o que basta para o nascimento de uma fada. Mas um gajo tem de ver com os próprios olhos, todos os itinerários do diabo. E depois o diabo à mesa, a engolir algumas almas, a rasgá-las com a boca cheia. As mulheres suplicam, não exigem explicações, carregam resgates, as mãos cheias de jóias, a açucarar os abismos. E o diabo a rir, a beber lágrimas. Depois, lá adiante, um eixo estreito de luz a cair do poste. E por trás, o mundo. A mata e a metrópole. Juntas, de mãos dadas para o centro desse fluxo onde se vão sentir tão mal enquadradas quanto a Fernanda Câncio numa sessão de ATM dum filme pornô. Pelo céu, toda uma colecção de pendericalhos. Tóxicos e inúteis, avançam. Sem risco, sem esforço. Eles imitam os movimentos, as posturas, todas as subidas e variações. É isto. A situação empeorada, mas diáfana. Um gajo já não se comove. Mete as mãos aos bolsos e pergunta-se a rir: onde é que tens o coração? O coração é um árabe com todo o seu harém em cima de um camelo. 24 ou 25 pingentes entre as duas bossas gordurosas no dorso. E por cima de tudo. Atado por todos os lados, mil cabos, lianas, enfeites, estilo zíngaro, o demónio cabriola, cadaveriza. Não ligo a mínima. Tenho na mão a minha piça gorda, mijo um arco de pontilhados soltos. Peido, chacoalho o mangalho para cima e para os lados e entro na camioneta. Amanhã vou ver a minha gaja de Dundee, estamos separados há 3 semanas. Mas pronto, as minhas mãos vão sempre ao pão. 

 

Peor

despesadiaria às 14:51
|

.Arquivo

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014