Domingo, 20 de Julho de 2014

 

(Juvenilia)


Carta Aberta a Cesariny

 

Meu caro Cesariny,


Hoje vesti fato e gravata

E tenho de lhe confiar a deferência

Que se abateu, como uma bênção,

Sobre a minha desmiolada cabeça!


Eu nem lhe conto

O respeito, o temor, o Sr. Doutor

A bajulação descarada

Dos que procuram editor!...

 

E eu que em vão busco um

Um leitor, conhecedor,
Com quem possa partilhar

A folha trabalhada −

Resíduos de dor

Resíduos de amor.


É pois de fato e gravata que lhe envio

Da sua sede vacante

(Esperando que não haja desvio
Ou chumbo retumbante)

Este poema − esguio

Porque escrito num instante.

 

E caso o aprecie

Caso nele veja
A centelha do poeta

(E não meras figurações de esteta!)
Por mais mágoas que tenha de carpir
Para sempre ousarei sorrir.

 

pmramires

despesadiaria às 02:29
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