Domingo, 27 de Julho de 2014

 

(Juvenilia)   

 

Nobre Valentia

 

A serenidade da nobre valentia

Vemo-la no São Jorge de Donatello.

Jovem esbelto, distinto olhar de sonhador

De integridade imune à aleivosia

Apto à batalha com graça e sem temor.

 

Com os olhos nessa estátua em São Jorge medito

Ele faz parte da insigne estirpe que reivindico

A dos que erigem seus princípios e afirmam: − Não abdico!

 

Os que resistem à sensatez de cartomante

(Sempre envolvida em roupagem especiosa de ouropel, brilhante!)

E cultivam um generoso desprezo pela coragem curiosa

Dos que enviam os filhos para a guerra

E sofrem em casa de ansiedade nervosa.

 

De novo vindico a rectidão fragosa

Para a qual nem a pobreza nem a morte

Representam signos da sua sorte!

 

A pobreza, não me é aborrecida:

Tempo, tenho, para tocar a lira;

E a morte não é tão aterradora
Quanto uma vida aduladora

Que nos sugere a vil trapaça da acção

Sem o sanguíneo prazer da convicção.


Ó meu povo de eleição

Reaprende, com São Jorge,

A dizer não, não quero não!

 

pmramires

despesadiaria às 10:51
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