Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

 

A verdura, as vacas e a vibração dos insetos ao sol. Trocava as minhas memórias todas por isto. Todas? Todas. As boas e as más? Tens razão, só as boas. Pela verdura, as vacas, a vibração dos insetos ao sol e as estrelas de luz a flutuar no oceano, as boas e as más. As memórias más valem tanto como os reflexos flutuantes? Não, é o conjunto, como o champô com condicionador, não podes partir-lhe o preço conforme as funções. Levas tudo por aqueles euros ou não levas nada daquilo, compras antes um apfelstrudel ultracongelado ou um saco de areia para os gatos. Sílica, que é melhor. E depois ficavas como, com o quê? Ficava a tremer de calor, com o cabelo sedoso e sem caspa, tudo o que dá jeito sempre que não há uma manhã amanhã. E se eu te quiser com as memórias, boas e más, e a trunfa pós-modernista? Estás a falar de arquitetura ou de literatura? Trunfa, arquitetura. Claro. Trunfa, arquitetura. Mas não queres. Só queres os grandes êxitos. Quando te visses com as faixas mortas nos ouvidos, davas um tiro de cavalo e partias para outra. Ou talvez partisse, num cavalo de tiro, para outras.

 

(risos)

 

Outras faixas? Não, outras... Outras, sim, altas, baixas. E por isso... Por isso a verdura, as vacas e a vibração dos insetos ao sol. Ficamos por aqui e deixamos os reflexos a flutuar. É um favor que nos fazes, a mim, a ti, a um mundo que talvez já não venha.

 

E.

despesadiaria às 06:06
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