Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

 

(Na varanda, parado, de pé, a olhar lá para fora. São três da tarde. O Sr. Shlev não está a fazer nada.)

 

Sr. Gabba: O que estás a fazer?

Sr. Shlev: Nada.

Sr. Gabba: Passa-se alguma coisa ali?

 

(O Sr. Gabba aponta para o stand de vendas entre os prédios da frente)

 

Sr. Shlev: Não.

Sr. Gabba: Então, estás a olhar para onde?

Sr. Shlev: Para parte nenhuma.

Sr. Gabba: Então, estás aqui a fazer o quê?

 

(O Sr. Gabba começa a revelar-se inquieto. Shlev mantém-se sereno.)

 

Sr. Shlev: Nada.

Sr. Gabba: Enlouqueceste. 

Sr. Shlev: Porquê?

Sr. Gabba: Porque não há motivo para estares aqui.

Sr. Shlev: Pois não.

Sr. Gabba: E porque é que continuas?

Sr. Shlev: E porque tem de haver um motivo?

Sr. Gabba: Porque todas as coisas têm uma causa que provoca uma acção.

Sr. Shlev: A causa das coisas não é o seu sentido.

Sr. Gabba: Acho que devias fazer alguma coisa com sentido...

Sr. Shlev: Tu achas que eu devo fazer alguma coisa que faça sentido para ti.

Sr. Gabba: Há um padrão no sentido das coisas.

Sr. Shlev: Quem o estabeleceu?

Sr. Gabba: Os homens... a sociedade... sei lá.

Sr. Shlev: Eu também não sei. Incomoda-te que esteja a fazer nada?

Sr. Gabba: Um pouco, sim.

Sr. Shlev: Porquê?

Sr. Gabba: Porque devíamos estar a fazer alguma coisa.

Sr. Shlev: O quê?

Sr. Gabba: Não sei.

Sr. Shlev: Quem é que não faz sentido?

 

jorge c.

despesadiaria às 09:57
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