Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

 

Aurora

Ela senta-se na soleira da porta, à espera que os primeiros raios de sol da manhã venham aquecer-lhe os ossos. Foi uma noite terrível, agora que pensa nisso. A discussão, os murros, a faca, o sangue, aquele baque de um corpo a cair inerte. 

Já não importa muito agora. Daqui a pouco há-de ligar para o posto, o cabo vai perguntar se voltou a acontecer, desta vez ela dirá que não e há-de acrescentar a sentença definitiva:

- E garanto-lhe que não volta a acontecer

Mas nada disso interessa agora. O céu de estrelas semi desmaiadas promete uma aurora radiosa e ela reconhece que já se tinha esquecido há muito do que é acordar em paz.

DoVale
despesadiaria às 10:19
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