Sábado, 25 de Outubro de 2014

 

Acordou com a estranha sensação de que não lhe apetecia comer mais frango. Não era coisa do momento, percebeu que a decisão era definitiva. Foi fazer a barba, torradas, rímel, batom, era outra vez Andreia e não Alberto que o CC lhe impunha.

As coisas tinham melhorado um pouco nas últimas semanas. Tinha agora a esperança fundada de que seria operada antes do Natal. Finalmente, Cortadas as carnes que a agarravam ao equívoco que fora a maior parte da sua vida, talvez pudesse, enfim, casar com o Sicrano. Era um homem estranho, mas quem seria ela(e) para julgar? Não era possível determinar-lhe um rótulo, homossexual, talvez, bi, se calhar, hetero, tem dias, infeliz, sempre. Mas era, apesar disso, uma alma generosa e gostava realmente de Andreia. Não gostava tanto de Alberto, mas o suficiente para esperar pacientemente que este se ausentasse para prosseguir o namoro atribulado.

À medida que as hormonas começavam a fazer efeito, Andreia ia mudando. O frango, pensou, era só mais um efeito. Mas percebeu que tinha atravessado finalmente a ponte quando, na sapataria onde nunca tinha tido coragem de entrar, a empregada lhe disse,

- Tenho os sapatos ideais para combinar com esse vestido, vai ver que fica linda.

 

DoVale

despesadiaria às 10:39
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