Quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

 

O homem que arranha

 

 

Enquadrado pela janela, o crepúsculo entrecortado pelas silhuetas das fachadas pintava um quadro belíssimo na parede do escritório. Os vários tons de azul, laranja e rosa misturavam-se como num gelado de máquina, com cores tão espessas quanto intensas, escorrendo pelo espaço ainda livre do negrume e ângulos impossíveis dos telhados da Baixa.

Fui despertado do meu transe pelo bater das oito na torre dos Clérigos. A calma que me rodeava contrastava fortemente com a desarrumação geral de caixas, amontoados de papeis, livros e máquinas que os meus olhos começavam lentamente a desvendar, e uma sala onde trabalham dez pessoas pressupõe. O cheiro a mofo e suor não deixava muito à imaginação mas trazia memórias difusas de pessoas conhecidas. O som das badaladas deu lugar ao zumbido da ventoinha do computador pousado à minha frente. Por fim, um “formigueiro” fez-me esticar a perna esquerda e ajustar a ligeiramente posição na cadeira.

Sentado à secretária, perguntei-me: “O que faço aqui?

 

 

r o w t a g

despesadiaria às 23:50
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