Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

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Escritório

14h28. Era agora inevitável reconhecer o desastre anunciado. O prazo expirara há precisamente 28 minutos, o computador recusava-se a aceitar o formulário, estava agora tudo arruinado. Dois anos de esfrangalhamento mental, a pesar prós e contras, deve e haver, peso e medida. Tudo escrito, reescrito, desaprovado no geral mas ainda assim a permitir a leve esperança de que talvez o destinatário não achasse assim tão mal.

A decisão que não se toma é mil vezes pior do que a decisão errada. Passou a manhã a preencher as alíneas - Estes caralho querem saber tudo, pensou - estava tudo pronto, bastava carregar na tecla “enviar”, “send”, “go” ora foda-se, porquê Tristão, porquê?

Ele sabia que esta era a sua oportunidade. Um novo país, uma nova era, amarras cortadas, tudo certinho, limpinho, tábua rasa para começar do zero.

Mas não. Sentado à velha secretária do escritório, procurando escrutinar a paragem do autocarro por entre as lâminas vencidas do velho estore de madeira, percebeu que a derrota era inapelável e definitiva. Pegou no telefone.

- Sr. Jaime, daqui Tristão Valente. A que horar posso ir ao seu escritório para vermos essa questão do IRC?

 

DoVale

despesadiaria às 14:45
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