Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

 

Paulo

 

Desisti que a realidade me acontecesse, mudei de estratégia. Agora digo às pessoas que me chamo Paulo. Ficam confusas, assumem que ouviram mal. «Obrigada, D. Paula.» «Paulo, Paulo», insisto. Sorriem, baixam os olhos, pisgam-se dali para fora. Evidentemente, não sou um homem. Não estou a fazer nada para ser um homem, apesar de me lembrar frequentemente do conselho de Don Corleone quando dou por mim à espera da felicidade, com as lágrimas a rolar-me pelas faces. Continuo a ir à casa de banho das senhoras. Até agora ninguém reclamou, apesar dos meus esforços em falar no masculino com quem se encontra na fila de espera: "Minha senhora, já viu como está o tempo? Cheguei todo encharcado." Mais consternacão disfarçada de indiferença. Alguma coisa está prestes a mudar na minha vida, tenho a certeza. Mal posso esperar para saber o quê.

 

Menina Limão

despesadiaria às 18:35
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