Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

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Para dizer a verdade, não lhe apetecia absolutamente nada que fosse Natal. Nada, nem um bocadinho. Enquanto passeava pela Baixa, com as musiquetas da época a picaretarizarem-lhe os tímpanos, o que lhe ocorria mesmo era um atentado. Assim daqueles bonitos, que fazem kachabum e o povo fica a falar neles dias e semanas e directos na tv e as famílias e tudo. Mas não, dizem que não dá jeito, que não é bonito, que agora está a dar um programa melhor na tv. E então lá vai comprar as prendinhas do costume, um guarda chuva, uma caixa de maçãs, duas moedas antigas, vinho do porto com a idade certa e arre gaita com tanto saco já vou ter de pagar um táxi. E é nisto que a divina providência providencia o escape perfeito. Um anjo, um anjinho, uma coisa catita com luzes e tudo a baloiçar por cima das cabeças dos transeuntes em trânsito. A coisa espatifa-se ao comprido (há quem diga que foi de lado, testemunhas oculares desenbocam sempre nestas versões contraditórias) e consegue, com jeitinho, acertar-lhe o suficiente na cornadura para provocar nada mais nada menos do que a semana de cama, sopas e nenhures que tanto desejava. Afinal o Natal pode ser uma coisa linda, às vezes quando esfrega as órbitas com afinco suficiente até lhe parece que está a ver o menino estendido nas palhas - já sem burro e vaca que o alemão agora confinado ao mosteiro não é muito dado a fábulas de estábulo…

DoVale

despesadiaria às 11:42
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