Sábado, 27 de Dezembro de 2014

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Naquele momento a gente nem desconfia, não dá para saber que depois a coisa não pára mais. Ela me pegava na berguilha só para fazer alguma coisa nesse momento – uma mexidinha na berguilha dentro da média, ou talvez até um pouco abaixo dela. Quando aproveitei para lhe apalpar os ovários e o cu detrás duma cortina, tivemos apenas o tempo de nos beijar. E então ficamos abraçadinhos num temporal magnético com um monte de sensações. Ela começou a dizer, mas assim, apressada, que ainda não tinha idade. Então eu ri, bom, quer dizer, rimos, eu ali de pé com a alma dela nas mãos e os peitinhos.
Dois minutos depois, a gente viu faíscas vermelhas saltarem. Elas me saíam por todo lado, as faíscas. As faíscas dela também, indo para cima e aterrando nas minhas costas. E a gente ficava a mexer, a tentar equilibrar a cabeça em cima do pescoço.
Então, com a boca a fazer um bico dentro da sua orelha, eu disse alguma coisa. Mas acho que ela não me compreendia bem, simplesmente abria a boca na maior mancha roxa que já tive a oportunidade de ver, e toda a vantagem que assim nos oferecia criava também uns embaraços que ninguém esperava mais. O cheiro, esse idioma das mulheres, eu fiava-me um pouco nisso, para me mover e orientar.
Depois, cem pequenos ruídos de tamancos a vir e ir no chão molengo do corredor, ao mesmo tempo.
A boca funda como um desses buracos que a gente encontra num campo de golfe. E a vida que há por trás disso, e uma morte muito de acordo com o resto. Não que me sentisse embaraçado. A diferença tem a ver com o que está a passar. Mas uma coisa destas tem a ver com a fixação, é a coisa consigo mesma. Quando se está lá dentro, nunca se está acordado ou dormindo porque ela mesma nunca está acordada nem dormindo. É um terceiro estado, não um pouco de cada um, mas um outro, sem nada dos dois. Isso faz o mundo inteiro da gente desaparecer. Uma duna dessas é capaz de pôr a gente a se dar conta disso, daquilo, bolhas, galos, luxações, enigmas, fuxicos, coxas, cloacas, espumedos, tudo, tudo de novo. E essa coisa toda, só por curiosidade. E é como se tivesse sido grudada na gente na mesma hora, a confiança nos outros. Essa confiança que se põe de gatinhas e que vai ter de engolir todas as colheradas de merda que os outros conseguirem cagar numa semana. As gajas são um sítio todo em baixo d'água. E no fim estamos separados delas por todo o coito que tiveram de fazer por culpa nossa, de um modo ou de outro. Eu fiquei a socar, simplesmente, porque tinha pensado que era como deveriam acabar agora as coisas naquela noite. Toda a gente já deve também ter sido tocada pela façanha de crescer para ter a idéia de que estava crescendo. Bom, eu apresento isso hipoteticamente, não sei se é verdade. Em todo o caso, estava mesmo a pensar nisso, quando ela se inchou na barriga. As pernas se dividindo e depois reaparecendo juntas. Então eu pus os dois joelhos em cima, como se estivesse a subir na mesa ou na cadeira, ou ainda, como se estivesse a subir sobre a mesa e a cadeira ao mesmo tempo. E no instante seguinte, ela turbilhona que nem uma retrete. Fica em pé no quadril, por cima de nós dois. Balança, a bater um pouco a cabeça no meu ombro.

 

Peor

despesadiaria às 13:11
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