Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015

...

     um prejuízo do tamanho da Mónica - (16)

 

     Pelon ficou sentado, com uma parede de monitores de TV às costas. O magrela esperou até que ele olhasse para eles.
     – Nunca limpam esse lugar?
     – Passamos uma água toda semana, como no zoológico.
     O magrela esperou, enquanto Pelon mordia a unha, como um puto a olhar para o pai que lia o boletim da escola.
     – Traz ela até aqui – eu disse.
     Ele pegou as chaves do canil e, antes de sair, disse:
    – Sempre confiei em ti e quero muito acreditar que posso continuar a confiar.
    Pela janela pude vê-lo, mais perto agora da casa do que do canil. A porta ficara aberta o tempo todo, Pelon ergueu a mochila com uma das mãos, a apontar com a outra.
    – Está aqui! – ele disse. Depois entrou com ela e largou aquilo no sofá. Tive a impressão de que era uma cerimónia, todo a gente ali de pé, a esperar. O caipira pegando a mochila na mão, avaliando o peso.
    – Agora esperas lá fora – ele disse para mim.
    Não olhei para Pelon antes de sair.
    Fiquei encostado no carro. Quando eles saíram, perguntei:
    – Como é que Pelon ficou?
    – Acho que vai precisar de um transplante de rosto.

 

    Peor

despesadiaria às 12:54
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