Terça-feira, 20 de Maio de 2014

 

(nunca) é só um jogo.

 

num vinte de maio já adolescente o real madrid ganhou a final da liga dos campeões. um zero à juventus. golo do mijatovic. efeméride sem demasiado relevo não fora dar-se o caso de várias coisas. por razões de vida ou de morte que não são para aqui chamadas, o futebol espanhol chegou-me primeiro às mãos e aos pés do que o português. foi há muito tempo, ainda a vida era simples: coca-cola ou pepsi. sagres ou super bock, ovomaltine ou milo, real madrid ou barcelona. desde muito pequeno era do real madrid, quando quase toda a gente era do barcelona. de modo que nesse vinte de maio vi a final da liga dos campeões com a camisola do mijatovic orgulhosamente colada ao meu mui franzino - à data - dorso. a rebeldia do rock adolescentódepressivo calou-se um segundo, um minuto, o sessenta e seis, e do pé esquerdo do mijatovic, aproveitando uma bola solta, saiu o golo que dá razão e sentido a tudo, a euforia ingénua e desavergonhada, a esperança num mundo melhor. e festejámos (ah caralho, se festejámos.) e depois voltou a vida. o nada. o silêncio enquanto impossibilidade metafísica. uma memória ou outra mal disfarçada, a eterna espera pelo teu telefonema, a insónia que não é bem insónia, já é só mais uma almofada vazia que jaz ali ao lado, a angústia patética, a espera desesperada pela morte. ou pelo menos a esperança de envelhecer e aprender a escrever com menos adjectivos, como dizia o eugénio.

 

um tal de joão gaspar

despesadiaria às 14:35
|

.Arquivo

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014