colado na porta de saída do bar, um pequeno aviso, recentemente impresso a times new roman (tamanho 20, bold), proibia os clientes de saírem com toda e qualquer espécie de vasilhame de vidro na sua posse. o azeite - que é dado a anexins lírico-romântico-anacrónicos - leu a mónita em silêncio, decifrando a custo e a cuspo os redondos vocábulos que, distorcidos, iam viajando através do ar carregado de fumo até junto da sua cabeça toldada por meia garrafa de talisker 10 anos. uma expressão de espanto e desamor tomou o lugar do que era, até então, apenas mais um rosto de cliente habitual ao balcão. e juro que, se puséssemos a mão em concha, atrás do ouvido, lhe escutaríamos o ganido:
- então e agora, sr jaime? como é que vou levar o meu coração para casa?
azeite