Encontraram o meu email. São as vantagens de ter tudo arrumado, organizado, catalogado, indexado, numerado. Até me conseguiram dizer por que razão esperava resposta há três meses: a pessoa que o recebeu já não se encontra ao serviço e a correspondência seguiu-lhe o caminho. Reformou-se, morreu, despediu-se, não sei, não perguntei. Detetada a falha, o email foi então trazido de volta ao mundo que ainda se encontra ao serviço e reencaminhado para mais alguém, com a garantia de que desse reencaminhamento para mais alguém resultará um contacto. De quem? Não sabemos. Quando? É uma questão de esperar. Um corvo grasnou a coberto dos pinheiros que já não o são. Uma corrente de ar acabadinho de chegar do ártico circulou por frestas até então desconhecidas. A noite caiu a desoras sem data para se levantar.
E.