(Juvenilia)
Carta Aberta a Cesariny
Meu caro Cesariny,
Hoje vesti fato e gravata
E tenho de lhe confiar a deferência
Que se abateu, como uma bênção,
Sobre a minha desmiolada cabeça!
Eu nem lhe conto
O respeito, o temor, o Sr. Doutor
A bajulação descarada
Dos que procuram editor!...
E eu que em vão busco um
Um leitor, conhecedor,
Com quem possa partilhar
A folha trabalhada −
Resíduos de dor
Resíduos de amor.
É pois de fato e gravata que lhe envio
Da sua sede vacante
(Esperando que não haja desvio
Ou chumbo retumbante)
Este poema − esguio
Porque escrito num instante.
E caso o aprecie
Caso nele veja
A centelha do poeta
(E não meras figurações de esteta!)
Por mais mágoas que tenha de carpir
Para sempre ousarei sorrir.
pmramires