(Juvenilia)
Nobre Valentia
A serenidade da nobre valentia
Vemo-la no São Jorge de Donatello.
Jovem esbelto, distinto olhar de sonhador
De integridade imune à aleivosia
Apto à batalha com graça e sem temor.
Com os olhos nessa estátua em São Jorge medito
Ele faz parte da insigne estirpe que reivindico
A dos que erigem seus princípios e afirmam: − Não abdico!
Os que resistem à sensatez de cartomante
(Sempre envolvida em roupagem especiosa de ouropel, brilhante!)
E cultivam um generoso desprezo pela coragem curiosa
Dos que enviam os filhos para a guerra
E sofrem em casa de ansiedade nervosa.
De novo vindico a rectidão fragosa
Para a qual nem a pobreza nem a morte
Representam signos da sua sorte!
A pobreza, não me é aborrecida:
Tempo, tenho, para tocar a lira;
E a morte não é tão aterradora
Quanto uma vida aduladora
Que nos sugere a vil trapaça da acção
Sem o sanguíneo prazer da convicção.
Ó meu povo de eleição
Reaprende, com São Jorge,
A dizer não, não quero não!
pmramires