idílios e pequenos delitos, Verde, X
Rythm of the Night a tocar e eu um amigo a brincar ao Saber Rider com armas de pinho rematadas com pregos oxidados. Brincávamos à socapa, com aquela vergonha típica de garotos que não querem ser vistos a ser garotos. “Essa cassete não presta. Já saiu a Dancemania 95, putos”, disse-nos um primo mais velho que já saía à noite com os seus sapatinhos de ir ao pito. Comecei a sair de casa tarde, mas nunca tive sapatos de ir ao pito. A minha primeira noitada foi patrocinada por um amigo recém-chegado de um Erasmus na Lituânia; notava-se que estava demasiado alegre e ainda mal aclimatado aos paulatinos hábitos da cona indígena. Embriagados com whisky protestante abordamos o femeaço local com uma certa prosápia: eu gastei os tropos de uma literatice mal industriada, que usa mais porquanto do que porque; ele usou os movimentos de dança que tinha aprendido nas discotecas lituanas e com as irmãs mais velhas. Houve troca de saliva seguida de vómito, se bem me lembro. Só sei que acabei a noite a gritar “voglio vederti danzare, puta”.
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