(Na varanda, parado, de pé, a olhar lá para fora. São três da tarde. O Sr. Shlev não está a fazer nada.)
Sr. Gabba: O que estás a fazer?
Sr. Shlev: Nada.
Sr. Gabba: Passa-se alguma coisa ali?
(O Sr. Gabba aponta para o stand de vendas entre os prédios da frente)
Sr. Shlev: Não.
Sr. Gabba: Então, estás a olhar para onde?
Sr. Shlev: Para parte nenhuma.
Sr. Gabba: Então, estás aqui a fazer o quê?
(O Sr. Gabba começa a revelar-se inquieto. Shlev mantém-se sereno.)
Sr. Shlev: Nada.
Sr. Gabba: Enlouqueceste.
Sr. Shlev: Porquê?
Sr. Gabba: Porque não há motivo para estares aqui.
Sr. Shlev: Pois não.
Sr. Gabba: E porque é que continuas?
Sr. Shlev: E porque tem de haver um motivo?
Sr. Gabba: Porque todas as coisas têm uma causa que provoca uma acção.
Sr. Shlev: A causa das coisas não é o seu sentido.
Sr. Gabba: Acho que devias fazer alguma coisa com sentido...
Sr. Shlev: Tu achas que eu devo fazer alguma coisa que faça sentido para ti.
Sr. Gabba: Há um padrão no sentido das coisas.
Sr. Shlev: Quem o estabeleceu?
Sr. Gabba: Os homens... a sociedade... sei lá.
Sr. Shlev: Eu também não sei. Incomoda-te que esteja a fazer nada?
Sr. Gabba: Um pouco, sim.
Sr. Shlev: Porquê?
Sr. Gabba: Porque devíamos estar a fazer alguma coisa.
Sr. Shlev: O quê?
Sr. Gabba: Não sei.
Sr. Shlev: Quem é que não faz sentido?
jorge c.