Uma luz pálida entra pela janela e cobre parcialmente o teu corpo imóvel, imitando a realidade lá fora. Eu contemplo-te como um imperador, sentado numa direcção propícia, tentando nada fazer que perturbe a espontaneidade da natureza.
(O amor não é uma democracia - não é um parlamento a dois, e nos nossos sonhos apenas conseguimos ser monarcas ou anarcas. A raiz primordial da consciência não joga à política e não conhece a lealdade.)
No oceano profundo da noite
onde a lua mergulha cheia
uma baleia na areia
Na mitologia e folclore orientais, apenas por intermédio especial e indirecto das crianças se conseguem domar as criaturas caóticas ambivalentes surgidas do colapso da ordem civilizacional. Ou pelo menos, foi isto que ouvi dizer.
Já é segunda-feira outra vez e volto a deitar-me ao teu lado.
gatwor