Die Königin der Nacht
Foi uma pessoa do tipo D que eu vi. A receita não domino, mas o processo de decomposição ia avançado e, pelo aspecto, não se podia dizer que tivesse levado um grão de açúcar. Avançava à minha frente, o peso do seu corpo alto e esguio transposto de um pé para o outro, lentamente. Velha, andrajosa, de longos cabelos grisalhos e maltratados, imponente no seu reino por terra, dava meia dúzia de passos, estacava e abraçava-se. Via-lhe as mãos, uma de cada lado do lombo, divagando timidamente. Depois retomava o passo, que alternava com a dança, o passo e a dança, o passo e a dança, alheia às regras do baile.
Eu ainda não apodrecera o suficiente para atingir o estádio do ritmo possível, pelo que não tive outro remédio: ultrapassassei-a.
Penso nela muitas vezes, chego mesmo a vê-la, linha de horizonte imaginada, indefectível.
Para lá caminho.
Menina Limão