Uma tragédia
Chamava-se Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo Ferreira e Peres da Rocha Vaz. E já não era filho de Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão da Rocha Vaz, apesar de ainda o ser de Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana Ferreira e Peres.
Seu pai tinha sido um homem muito importante, fundador e presidente da Associação Comercial dos Nomes Compridos, e sua mãe uma mulher menos importante, como também ficava bem naquela época.
O nosso herói tentou seguir-lhe as pisadas, mas perdeu-se e não conseguiu. Ou se calhar, conseguiu. O problema residia precisamente nele. Por estar a atravessar uma fase em que não se conseguia decidir por que métricas avaliar a sua importância. E até mesmo a dos outros.
Tudo lhe parecia trocado, com os marcos e os pólos invertidos, e as velhas fórmulas davam resultados que agora não resultavam. Perguntava-se, por exemplo, se ser desconhecido da opinião pública aumentava ou diminuía a sua importância, e vice-versa.
Nem a ciência parecia capaz de o ajudar. Estava demasiado ocupada a viver uma situação semelhante, embrulhada em termos e definições indecifráveis, e votada ao mais obsceno desprezo, na sua vertente comercial.
Coitado do nosso herói! Não era uma fase. Tinha resistido ao estilhaçar de Deus com bravata, mas só para agora se ver estilhaçado pela derrota da Verdade.
Porque, na verdade, Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo Ferreira e Peres da Rocha Vaz já não sabia quem era.
M.M.P.J.C.F.A.X.P.R.O.W.T.A.G.P.A.A.R.G.J.J.G.E.F.P.R.V.