Aurora
Ela senta-se na soleira da porta, à espera que os primeiros raios de sol da manhã venham aquecer-lhe os ossos. Foi uma noite terrível, agora que pensa nisso. A discussão, os murros, a faca, o sangue, aquele baque de um corpo a cair inerte.
Já não importa muito agora. Daqui a pouco há-de ligar para o posto, o cabo vai perguntar se voltou a acontecer, desta vez ela dirá que não e há-de acrescentar a sentença definitiva:
- E garanto-lhe que não volta a acontecer
Mas nada disso interessa agora. O céu de estrelas semi desmaiadas promete uma aurora radiosa e ela reconhece que já se tinha esquecido há muito do que é acordar em paz.
DoVale