Eu sei que lá adiante, o dia de hoje vai se tornar uma dessas lembranças capaz de converter o presente em mera fantasmagoria. Estamos em seis, ao lado da Kombi, a comer um guisado de cão. De início, não sabia. Quando começaram a latir enquanto comiam, não quis acreditar. O "cozinheiro" fez que sim com a cabeça várias vezes. Depois levantou-se, desempenou os ombros. Posso ver as fezes brancas que uma ave deixou nas costas da sua jaqueta. Ele volta, desembrulha um pedaço de lona. Ali, aglutinada em parafuso, a pele ensanguentada parece um coração de seda amarrotada, uma compreensão ao mesmo tempo subtil e básica de que afinal nem a vida é mais que uma escoriação houellebecquiana dos sentidos nem somos menos que a prova viva (ou melhor: zombie) de muitas coisas.
Peor