idílios e pequenos delitos, VII
Lembro-me de roubar fruta com os meus amigos de infância. Partilhávamos, muitas vezes ainda verdes, os frutos destas aventuras temporãs. Nas aldeias – longe do Alfeu e de toda a geografia épica – estes pequenos feitos têm dimensões inesperadas; cagar no chapéu de um lavrador vizinho daria que falar, pensávamos nós, por muito tempo. Não deu e, segundo as crónicas, o lavrador vingou-se cortando várias bolas de capão com uma tesoura de podar. As tardes no campo são demasiado longas sem uma bola; A. levou uma cartuchada de sal no cu para recuperar uma e, apesar das marcas permanentes, ainda hoje diz que valeu a pena. Ele ia à baliza e aquele foi seu maior sucesso desportivo.
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